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Quem foi que disse que ser Real não é ser feliz?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Em busca de novos rios


"Coveiros gemem tristes ais
 E realejos ancestrais
 Juram que eu não devia mais
 Querer você
 Os sinos e os clarins rachados
 Zombando tão desafinados
 Querem, eu sei
 Mas é pecado eu te perder
 É tanto, é tanto
 Se ao menos você soubesse...
 Te quero tanto! (...)"

(Tanto (I want you), Versão: Francisco Amaral)


Após algum tempo ausente, voltamos às nossas matérias! E para começar com o pé direito, ainda nesse primeiro mês de 2020, temos dicas especiais fora da cidade e do estado do Rio de Janeiro!
Emília, nossa editora, aproveitou o feriado municipal do dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, para dar aquela escapada rumo às Minas Gerais. O destino escolhido, a cidade de São João Del Rei, se revelou muitíssimo acertado, como se verá nas dicas!


Para quem sai do Rio de carro, a viagem dura aproximadamente 5 horas. Para quem vai de ônibus, o conselho é não acreditar no que diz o site da empresa, pois a viagem não dura apenas as 5 horas e meia que eles informam. Com paradas para embarque em Petrópolis, lanche em Juiz de Fora e desembarque em Barbacena, Barroso e Tiradentes, a chegada a São João Del Rei não acontece antes de 6 horas e meia! A parte boa, caso a viagem aconteça durante o dia, é conhecer um pouquinho dessas cidades (principalmente Tiradentes!).
O Google não tem essa informação, mas, em São João Del Rei, é muito fácil se locomover através do transporte público. A cidade é lógica, segura, os moradores são solícitos e as passagens urbanas têm bom preço. 
Nossa editora ficou hospedada na Pousada Raio de Sol, localizada na entrada da cidade. Se houver possibilidade de combinar com o motorista do ônibus de viagem, pode-se tentar descer em frente. Caso o desembarque seja possível apenas na rodoviária, há a opção de ir de táxi, ao custo médio de R$ 22,00 (com taxímetro, o que é maravilhoso!) ou ir de ônibus da Viação Presidente, com destino ao Trevo. Quem optar por essa modalidade deve informar ao cobrador (sim, essa profissão ainda existe por lá, felizmente!) que quer descer no ponto da Pousada Raio de Sol. Não há como errar! Caso o viajante vá se hospedar no Centro Histórico, também pode ir de ônibus ou de táxi. Nesse caso, o ônibus deve ter destino à Cidade. Em janeiro de 2020, data da viagem, a cidade ainda não contava com serviços de transporte por aplicativos como Uber ou 99.
A imagem pode conter: piscina, céu e atividades ao ar livre
Uma das piscinas da Pousada Raio de Sol
Para quem for ficar na pousada Raio de Sol, alguns avisos importantes: a pousada é simples e está começando, os serviços vêm sendo instalados aos poucos e a gestão também está caminhando junto com o estabelecimento. Ainda que uma certa falta de gestão profissional possa causar algum estranhamento, há muitos pontos positivos a se destacar: a manutenção é excelente; o café da manhã, com taxa de R$ 5,00 por diária é bem farto, apesar da simplicidade; e a dona e os funcionários fazem de tudo para que você se sinta em casa. Os móveis são de excelente qualidade, a roupa de cama é mais simples, mas muito nova e limpa. Quem optar por frigobar no quarto deverá pagar uma taxa de R$ 15,00 por diária. A casa tem bebidas para vender e também há excelentes mercados por perto, nos quais se podem fazer boas comprinhas.
A pousada tem duas piscinas grandes e de boa profundidade, churrasqueira e wi-fi com bom sinal.
No dia seguinte à chegada, após descansar e se sentir instalados, recomendamos a visita à cidade vizinha de Tiradentes. Nossa editora foi duas vezes, no domingo e na segunda-feira. No primeiro dia, o destaque foi o passeio de maria-fumaça, uma verdadeira viagem no tempo! O trem e as estações são lindos, bem cuidados, os operadores se caracterizam como antigamente e tem até doceiros com suas tábuas de doces tipo caseiros, também caracterizados no formato antigo.
A imagem pode conter: trem, céu e atividades ao ar livre
Maria-fumaça
Apesar de ser bem pequena, a cidade de Tiradentes, pela sua vocação turística, é muito movimentada. No dia da visita, a cidade se preparava para um festival de cinema que aconteceria dias depois. Há bons lugares para comer e fazer compras, muitas lojas de doces aceitam pagamento em ticket alimentação, o artesanato em tecido e em pedra sabão é destaque, e as igrejas são belíssimas. Na Matriz de Santo Antônio, que fica no alto de uma colina, é cobrada uma taxa de R$ 5,00 para a visitação. Vale muito a pena ir até lá, pois a vista de lá de cima é belíssima e a igreja encanta pelos detalhes da sua arquitetura!
A imagem pode conter: céu e atividades ao ar livre
Igreja Matriz de Santo Antônio e a rua com calçamento em pé-de-moleque
Entre os estabelecimentos da cidade, o destaque fica para a Doceria Flor de Lótus (“Ouvi dizer que existe paraíso na Terra...”) e para a sorveteria Gelatos da Vila, com seu filtro de barro e suas canequinhas de ágata, um luxo!
A imagem pode conter: pessoas sentadas
Sorveteria Gelatos da Vila, em Tiradentes
De volta a São João Del Rei, no domingo a pedida é ir à missa nas igrejas do Centro Histórico. A escolhida da nossa editora foi a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, igreja barroca de imensa riqueza, mas há as vizinhas Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo e a aconchegante Nossa Senhora das Mercês, de decoração rococó. Basta verificar na internet os horários das missas em cada uma e se dirigir para lá! Na Nossa Senhora do Pilar tem um coro seráfico maravilhoso, que também nos transporta no tempo!
A imagem pode conter: Emília Nazaré, sorrindo, em pé, céu e atividades ao ar livre
Nossa editora e a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar ao fundo
Na segunda-feira, como só retornaria ao Rio tarde da noite, nossa editora aproveitou para viver mais a vida real da cidade e passou toda a manhã no Centro, ouvindo os famosos sinos com sua linguagem própria. Nesse percurso, visitou as igrejas modernas, o campus da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), registrou os prédios da Prefeitura, da Câmara e do Teatro Municipal, e também foi à Igreja de São Francisco de Assis, que havia ficado de fora do roteiro na véspera por não ser vizinha às outras. Com obras de Aleijadinho, essa igreja é uma verdadeira joia da arquitetura religiosa mineira, também é cobrada uma taxa de R$ 5,00 para a visitação e tem um guia (nossa editora tem lá suas ressalvas quanto ao que estava de plantão durante sua visita, mas...) explicando os detalhes da construção.
A imagem pode conter: céu e atividades ao ar livre
Igreja de São Francisco de Assis
Nos fundos da igreja de São Francisco de Assis está localizado o cemitério onde foi enterrado o ex-presidente Tancredo Neves. Seu túmulo de granito preto, ao lado do da esposa, também tem destaque para os turistas.
Nesse dia, o almoço foi no restaurante Pelourinho, próximo ao Museu Ferroviário onde fica a estação da maria-fumaça. Comida a quilo com preço e qualidade justíssimos, playlist ambiente tocando só artistas mineiros (um grande destaque da região é esse, eles valorizam muito os artistas locais) e, na saída, café ou chá na xícara de ágata, com direito a suspiros para acompanhar, tudo cortesia da casa!
A imagem pode conter: xícara de café e bebida
Cortesias do Restaurante Pelourinho, em São João Del Rei
Após o almoço, ônibus para Tiradentes! Pelo caminho, diferente daquele feito pela maria-fumaça, passa-se pela cidade de Santa Cruz de Minas, o município de menor território do Brasil. Muitas lojas e fábricas de móveis de madeira chamam a atenção nesse trecho. Na Estrada Real que corta a região, há a cachoeira do Bom Despacho, em pauta para uma próxima visita. Também chama a atenção a Serra de São José, com seu relevo chapado, diferente das formas escarpadas que costumam ser vistas na maior parte do Sudeste.
Na rodoviária de Tiradentes tem Banco 24h, uma facilidade que acaba fazendo falta em alguns locais. Em São João Del Rei, por exemplo, eles são encontrados nas lojas da rede Bahamas Mix (supermercados no formato atacarejo), mas não na rodoviária ou na estação ferroviária.
A tarde de segunda-feira em Tiradentes é um mergulho em si mesmo! Naquele ritmo mais “vida real” de uma cidade que vive do e para o turismo, a chuva que caiu no dia trouxe a leveza para o que precisava fluir. O Rio das Mortes, no trecho que atravessa Tiradentes, é bem caudaloso, diferente do que acontece em São João Del Rei, onde passa canalizado por quase toda a sua extensão. E o Chafariz de São José, monumento histórico e ainda ativo, é lugar para se encantar e se refrescar com sua água potável geladinha!
A imagem pode conter: Emília Nazaré, sorrindo, atividades ao ar livre
Emília no Chafariz de São José, em Tiradentes
Com a aproximação da noite, nossa editora retornou a São João Del Rei, também em ônibus urbano, e lá aguardou sua hora de embarcar de volta ao Rio. Faltou ver muita coisa nessa viagem, mas esse certamente será o motivo da volta!

Agradecimentos:

À equipe da Pousada Raio de Sol, que tão bem atendeu nossa editora.
A todos os profissionais do comércio e serviços das duas cidades.


Um comentário:

  1. Nao sabia o q era estilo rococo e fui pesquisar. Pela foto publicada, achei q fosse art nouveau ou similar. Entao descobri q este eh uma especie de reavivamento daquele.

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