Teste Teste Teste Teste

Quem foi que disse que ser Real não é ser feliz?

sábado, 30 de janeiro de 2016

Praia da Bica: luz, cor e sabor na Ilha

“O rei mandou cair dentro da folia
E lá vou eu, e lá vou eu!
O som que brilha nessa noite vem da Ilha,
Lindo sonho que é só meu (...)” (Festa Profana, J. Brito e Bujão – Samba-enredo da União da Ilha do Governador – 1989)
Ir à Ilha do Governador é sempre uma grande experiência. Fora do continente, mas plenamente integrada à cidade, é uma região que tem características e contrastes bem particulares, que sempre se revelam dignos de registro.
No blog História da Ilha do Governador, conhecemos um pouco mais sobre a região:
“Descoberta em 1502 por navegadores portugueses, os Temiminós foram os seus primeiros habitantes. Chamavam-na de Ilha de Paranapuã, sendo também chamada de Ilha dos Maracajás (espécie de grandes felinos, então abundantes na região), pelos Tamoios, inimigos dos Temiminó.
Terra natal de Araribóia, foi abandonada pelos Temiminós em conseqüência dos ataques de inimigos Tamoios e traficantes franceses de pau-brasil, os quais foram definitivamente expulsos em 1567, pelos portugueses.
O nome Ilha do Governador surgiu somente a partir de 5 de setembro de 1567, quando o Governador Geral do então Estado do Brasil (e interino da Capitania do Rio de Janeiro) Mem de Sá doou ao seu sobrinho, Salvador Correia de Sá (o Velho), Governador e Capitão-general da Capitania Real do Rio de Janeiro de 1568 a 1572), mais da metade do seu território. Correia de Sá, futuro governador da capitania, transformou-a em uma fazenda onde se plantava cana-de-açúcar, com um engenho para produção de açúcar, exportado para a Europa nos séculos XVI, XVII e XVIII.
No século XIX, o Príncipe-Regente D. João utilizou o seu espaço como coutada para a caça. Segundo a tradição, conta-se que a Praia da Bica recebeu este nome por causa de uma fonte que costumava servir de banho ao jovem príncipe D. Pedro, mais tarde D. Pedro I (1822-1831). O desenvolvimento da Ilha do Governador, entretanto, só ocorreu a partir da ligação regular da ilha com o continente, efetuada por barcas a vapor com atracadouro na Freguesia desde 1838. Mais tarde, outros atracadouros foram construídos no Galeão e na Ribeira, integrando a área à economia do café e à atividade industrial (produção de cerâmica).
No início do século XX, os bondes chegaram à Ilha, efetuando a ligação interna de Cocotá à Ribeira (1922), percurso estendido posteriormente até ao Bananal e a outros pontos. Também é neste século que se instalam as unidades militares: a Base Aérea do Galeão, os quartéis dos Fuzileiros Navais e a Estação de Rádio da Marinha, época em que o bairro se constituía num balneário para a classe média da cidade do Rio de Janeiro.
Em 23 de julho de 1981, através do Decreto nº 3.157, do então prefeito Júlio Coutinho, ao tempo do Governador Chagas Freitas, o bairro da Ilha do Governador foi oficialmente extinto e transformado nos seus atuais dezessete bairros oficiais.”
Os 17 bairros que compõem oficialmente a Ilha do Governador são: Bancários, Cacuia, Cocotá, Dendê, Freguesia, Galeão, Guarabu, Jardim Carioca, Jardim Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da Bandeira, Ribeira, Tauá, Tubiacanga e Zumbi. É no Jardim Guanabara que se localiza a Praia da Bica, local escolhido para a nossa matéria.
Terceira maior praia da Ilha do Governador, a Praia da Bica tem 2 km de extensão.  Seu nome vem do chafariz colonial localizado mais ou menos no centro da praia, cujas águas vêm da nascente localizada em uma pequena elevação do outro lado da rua.
Bica recém-reformada. Água não-potável.
No início da praia existe o Parque Ecológico Marcello de Ipanema. O Parque tem 13 hectares de vegetação e pequenas intervenções urbanísticas. Verificamos, durante nossa pesquisa, que durante muito tempo ele esteve abandonado, mas, aparentemente, aconteceram intervenções recentes, pois os equipamentos de recreação infantil, os bancos e mesas, as escadas, as rampas e a vegetação estão bem cuidados.
Parquinho na entrada do Parque Marcello de Ipanema.

O nome do parque homenageia um historiador local, que escreveu diversos livros sobre a Ilha. Para quem quiser conhecer, recomendamos muita disposição, pois ele é todo em subida, e repelente, muito repelente! Resolvidos esses pontos, é subir e apreciar! As árvores, cactos, flores e, acima (literalmente) de tudo, a vista! Para quem for até lá no fim da tarde, como nós fomos, indicamos: o pôr do sol é um dos mais belos do Rio!
Pôr do sol visto do alto do Parque Marcello de Ipanema. Vale a subida!

Apesar de ter sido incluída no Programa Sena Limpa, lançado pelo Governo do Estado em 2012 com o objetivo de despoluir seis das principais praias do Rio (Bica, Ipanema, Leme, Leblon, São Conrado e Urca) até o final de 2014, a praia da Bica, devido ao alto grau de poluição da Baía de Guanabara, não é própria para o banho. Há quem se arrisque, mas a água ainda é muito suja e, no início da praia, ainda há a poluição por lixo. Garrafas e sacos plásticos, latas, vidros... vimos tudo isso na areia e na água no trecho próximo ao Esporte Clube Jardim Guanabara.
Trecho da praia próximo ao Parque Marcello de Ipanema, antes do Jardim Guanabara Esporte Clube.

Na Praça Jerusalém, que também se localiza nesse trecho, existe a Capela Imperial Nossa Senhora da Conceição, que está completando 350 anos em 2016. A edificação principal data de 1816. Infelizmente, a “igrejinha”, como é conhecida pelos moradores, estava fechada e não conseguimos imagens internas, mas prometemos para outra oportunidade.
Capela Imperial Nossa Senhora da Conceição.

Em frente à igreja, um grande atrativo é o chafariz da Mãe D’Água Amazônica, obra em bronze que representa um ser meio-mulher/meio-peixe, sentado sobre a enorme folha de uma vitória-régia. A obra é réplica de original de Newton Sá localizado em frente à Arquidiocese de São Luís, no Maranhão.
Chafariz da Mãe D´Água Amazônica

Ao longo da orla, vários quiosques atraem o público local e visitante. Às sextas-feiras, também é grande o movimento de jovens que se reúnem na Praça Jerusalém, numa interessante mistura de tribos, cada grupo levando seu “isoporzinho”, alguns carregando instrumentos musicais e fazendo o próprio som, outros trazendo a música em equipamentos, outros alheios à música e concentrados nas conversas.
Nos quiosques, há opções para todos os gostos. Os que mais lotam são a Kabana do Alemão e o Doctor Sax. Esse último, mais famoso pelas cervejas artesanais e pelas filas gigantescas nas noites de sexta (que valem a pena, pois o local é ótimo!), tem uma sorveteria especialíssima, com uns sabores exclusivos e receitas bem interessantes para as taças. Nos outros, pode-se encontrar culinária regional e internacional, fast food e o que mais interessar ao público.
O quiosque escolhido para nossa parada nessa matéria foi o Mormaço Lanches. A casa, que funciona há 29 anos ao lado da bica que dá nome à praia, já funcionou como trailer, com os frequentadores sentados na mureta. Hoje, divide a edificação com outro estabelecimento e, no lado que ocupa, oferece uma varanda agradável, com vista para a praia e mesinhas de madeira. Destaque também para a otimização do espaço nos banheiros, dica para quem tem banheiros pequenos em casa.
Placa do Mormaço Lanches.

Sanduíches, sopas, porções e pequenas refeições são servidos no local. De acordo com os funcionários Antônio (o mais antigo da casa, trabalhando lá há 25 anos) e Luiz Fernando, os sanduíches mais pedidos são o Super Big, feito com filé bovino ou de frango, e o Big Dog, cachorro-quente de 30 cm.
O cachorro-quente do Mormaço Lanches foi a motivação inicial dessa matéria. Conhecido pela Emília há mais de uma década, nos últimos anos atraiu também amigos da editora deste blog, levados por ela, que saíram de lá convictos de terem provado o melhor cachorro-quente da face da Terra!
Sem precisar se arriscar na versão Big, a versão comum vem com milho, ervilha, molho cozido de tomate e cebola, passas, queijo ralado, azeitona, ovo de codorna, catchup, mostarda, maionese, molho tártaro, batata palha e alface. Sim, o cachorro-quente tem ALFACE!
O melhor cachorro-quente da face da Terra!

O diferencial que assusta clientes que chegam pela primeira vez é explicado pelos funcionários da casa: a vitrine com os “recheios” para os sanduíches atendia tanto a quem pedia hambúrgueres como a quem pedia cachorro-quente; um dia, um cliente quis alface no cachorro-quente (originalmente, era só para hambúrguer), outro viu e também quis, outro soube e também quis, e assim a ideia caiu no gosto do público e, hoje, o cachorro-quente só vem sem alface a pedido do cliente.
Vitrine dos "recheios". Vejam o alface lá!

Lanchar contemplando a vista da praia, da Baía de Guanabara, da Ponte Rio-Niterói, Corcovado, Pão de Açúcar, Centro do Rio e parte da cidade de Niterói do outro lado é muito inspirador. As cores do fim da tarde iluminam os frequentadores dos quiosques, aqueles que se reúnem na praia para praticar esportes (vimos alguns grupos fazendo treino funcional) ou apenas a passeio, e quem mais passar por lá. Quem estiver por lá em outras horas do dia deve se sentir igualmente iluminado.
Praia vista a partir do Mormaço Lanches.

Nessa visita, fomos apenas até a altura da bica, reformada em 2014. Após esse trecho, há outros quiosques e a praia continua até a entrada da Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana (Aparu) do Jequiá, local de preservação ecológica, com manguezais, que será pauta para o Real no Rio no futuro.
Esperamos ver essas aves sem esse monte de lixo na próxima visita.

Recomendamos a todos a visita à Praia da Bica. História, urbanismo, natureza e diversão no mesmo local. É fácil de chegar, é real e é no Rio!


Emília, como sempre, fazendo arte!

Observação: a prefeitura deveria colocar seguranças no Parque Marcello de Ipanema. Não vimos nenhuma movimentação suspeita no local, mas, em muitos trechos a ausência de patrulhamento transmite uma sensação de insegurança.

Agradecimentos:
Ao Marcos Davi, parceiro de edição desse blog, da página lá no Facebook e de ciladas pela vida desde o longínquo ano 2000.
Aos funcionários do Mormaço Lanches, por todas as informações, pela disponibilidade em nos atender, pelos lanches maravilhosos de sempre e pelos risos quando ouviram (talvez pela milionésima vez) a pergunta: “de onde surgiu a ideia de colocar alface no cachorro-quente?”.
Links:
Sobre o Projeto Sena Limpa, que visava despoluir a Praia da Bica: http://www.rj.gov.br/web/informacaopublica/exibeconteudo?article-id=1042952



Nenhum comentário:

Postar um comentário